sexta-feira, 28 de outubro de 2011

mundos que se tocam na mesma atracção

Acredito que o contacto entre mundos se faz pelo pensamento (e, se tempos houve em que a questão era remetida para o domínio da para-ciência, hoje as descobertas da física quântica parecem apontar no sentido da sua aceitação e reconhecimento), não sem que a linguagem verbal seja, naturalmente, uma via privilegiada de transmissão, embora afectável por toda a espécie de ruídos.
Os anjos são fiéis mensageiros e faz todo o sentido que Traherne como tal veja os pensamentos, independentemente de a sua via de transmissão ser etérea ou fisicamente mais densa, como seja a fala e a escrita (a este respeito Traherne é omisso). Disse já que me parecia plausível que eles se encontrassem a meio caminho e comunicassem entre si e até interviessem com uma vontade própria, por via da tríade que geram e de que ao mesmo tempo nascem (ou renascem, outros), no sentido da desejada sintonia. Anjos que são, naturalmente, da natureza dos pensamentos enviados, trocados, e que assim elevam os que os enviam, trocam, ao nível a que os elevarem.
A escrita (não funcional) e, por excelência, a que substancia a poesia (ou não contemplasse ela, dele sendo feita também, o silêncio em que os anjos se encontram), de alguma forma rasga ao "outro" a "pele" que envolve o mundo próprio («a universe enclosed in skin», nas palavras de Traherne) no ponto em que o toca, rasgando-lha também. Diria, com Traherne, que a atracção que os aproxima até à tangência (poderia dizer intersecção, já que a "pele" se rompe) vem do mais profundo dos respectivos mundos (como a gravidade do centro da terra), vem do abismo que o Seu abismo atrai e que Silesius descreve como «der Abgrund der ewigen Liebe», no entendimento do Salmo 41(42):8 («abyssus abyssum invocat»).
Como se não hão-de tocar os mundos que se aproximam nesta mesma atracção?

Deixo dois epigramas de Silesius a este propósito:

1:68
Der Abgrund meines Geists rufft immer mit Geschrey
Den Abgrund GOttes an: Sag welcher tieffer sey?

5:339
Wie tief die Gottheit sey kan kein Geschöpff ergründen:
Jn ihren Abgrund muß auch Christi Seel verschwinden.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Die sieben Worte Jesu Christi am Kreuz

Heinrich Schütz - SWV 478 - Die sieben Worte




À excepção do Introito e da Conclusão, Schütz circunscreve-se ao texto bíblico:

Introitus

Da Jesus an dem Kreuze stund,
und ihm sein Leichnam war verwundt
sogar mit bittern Schmerzen,
die sieben Worte, die Jesus sprach,
betracht in deinem Herzen.

As sete frases (palavras)
sem texto intermédio do evangelista:

1.Vater vergib ihnen, denn sie wissen nicht, was sie tun.
2.Weib, siehe das ist dein Sohn, siehe das ist deine Mutter.
3.Wahrlich, ich sage dir, heute wirst du mit mir im Paradies sein.
4.Eli lama asabathani; Mein Gott, warum hast du mich verlassen.(do salmo 22 /21)
5.Mich dürstet.
6.Es ist vollbracht.
7.Vater ich befehle meinen Geist in deine Hände.

Conclusio

Wer Gottes Marter in Ehren hat
und oft gedenkt der sieben Wort,
der will Gott gar eben pflegen,
wohl hie auf Erd mit seiner Gnad,
und dort in dem ewigen Leben.

atracção entre mundos

Quando falo na "outra mão que na minha escreve" estou, naturalmente, a recorrer a uma metáfora, porventura não tão "perigosa" como se dissesse "a voz que escuto". Num modo de expressão dita "congruente", nem sinto nenhuma mão na minha, nem nenhuma voz me segreda o que quer que seja. E no entanto...
Com este "no entanto" dou o salto para fora da "zona de intersecção", digamos assim, que corresponderá, no meu mundo, ao espaço que nele ocupa essa abstracção com muita força que é o mundo dos "outros em geral" . Não será porventura mais real o que não é do domínio desse mundo ou que se situa no limiar, já que tudo o que para lá remeto não deixa de passar por mim? É neste sentido que entendo a resposta, na forma de uma pergunta, que Teresa de Ávila reporta: «Que se te dá a ti os outros?».
Os mundos atraem-se (o ditado inglês é mais expressivo na sua potencialidade poética: birds of a feather...). Diria, usando o termo da química do século XVIII com Goethe intitulou um romance (Wahlverwandtschaften), que se atraem em função de «afinidades electivas» entre eles. Ou,  remontando aos conhecimentos de alquimia a que Traherne não era alheio, diria haver entre eles, tal como na atracção magnética, «comunicações invisíveis», «meios invisíveis de transmissão». Traherne toma-a  na comparação com outra atracção que, no senti-la também a sua destinatária, um do outro os aproxima:
There are Invisible Ways of Conveyance by which some Great Thing doth touch our Souls, and by which we tend to it. Do you not feel yourself Drawn with the Expectation and Desire of som Great Thing? 

É assim que leio Centuries como um convite ao estreitamento de afinidades decorrentes todas elas do que, no mundo de um e de outro, constitui a mais poderosa força que o move. Não é de surpreender que Traherne comece por solicitar a confirmação - ainda que tácita - disto mesmo que deseja e espera (de onde o carácter retórico da pergunta, a que, protagonizando a destinatária, me sinto aliciada a responder com o meu mais pleno "sim"). Um convite à aventura de, através da linguagem, descobrir mais e mais afinidades, porventura a criá-las, num processo em que o mundo se alarga como se na própria casa se fossem encontrando passagens para espaços desconhecidos (um sonho recorrente, este, naturalmente aberto a interpretações simbólicas).
 Não poderei, porém, nunca falar desse mundo outro que, nesta atracção, toca o meu. Apenas posso dar conta do que me dá a ver, suscita ou cria no meu, a mais não tendo, não podendo ter acesso. 
Com isto volto a esse mundo que só existe, só está /aqui,enquanto física, psíquica ou espiritualmente eu estiver também (o que é será ainda uma outra questão). Não só faço parte dele (como observador que pode inclusivamente observar-se a si mesmo), como dele faz parte também o Tu que, transcendendo-o infinitamente, também o envolve, permeia e me é mais íntimo do que eu a mim mesma, o "Tu" a quem não poderei dizer nunca «Du bist fort», ainda que o possa dizer do mundo do outro (como Celan) e até do meu ou de mim mesma, na coincidência absoluta da enunciação com o último instante.  Ou não fossem (como veementemente espero que sejam) as Suas as palavras que não precisarei de articular para todo o meu ser as dizer por mim nesse instante supremo.

sábado, 22 de outubro de 2011

ainda o mundo

Na sequência do meu post anterior sublinho a revelação que, afinal, já Traherne tinha tornado tão clara à sua enunciatária, a primeira de entre aquelas «coisas estranhas, porém comuns; incríveis, porém conhecidas», que se propunha enunciar: «Não é algo de grande serdes a herdeira do mundo?» Uma «enriquecedora verdade» que, diz ainda, «encerra em si tudo quanto acompanha o mistério que desde o princípio do mundo está oculto em Deus».Colocarei no blogue dedicado a Traherne todo este parágrafo, em que Traherne se deixa tocar pelo poético que, com ele e através dele, irrompe de Rom. 4,13 e Ef. 3,9, e o enche de uma alegria que, transbordando, é seu desejo expresso canalizar para aquela que como "tu" privilegia. Até que ponto se tocaram ou enlaçaram os seus mundos só mesmo cada um deles o poderá saber. Só posso falar do que a sua obra - a três séculos de distância - opera e continuará a operar em mim, sendo que continuo a ver assomar, no mesmo, o que antes não vi e, no entanto, sempre lá esteve.
Ao cruzar a minha própria experiência (de que pretendo falar, não podendo falar de outra) com a que estas palavras, tantas vezes lidas, me permitem (re)constituir (a que outra luz se não a que me ilumina e ao meu mundo?), tomo de repente consciência de que sempre fiz o entendimento de um "como se", desse quasi de Eckardt, tal como surge no cântico litúrgico suscitado pelos mesmos passos das cartas de S.Paulo, em que se canta: «Amas o mundo inteiro e tudo o que nele vive. /Amas cada homem, como se apenas ele existisse em toda a terra». Este "como se" não está, porém, no texto de Traherne, nem neste parágrafo nem em nenhum outro em que reitera o deslumbramento ante tal "visão" das coisas.

Já tinha relacionado tudo isto com o que Derrida escreve a partir do verso de Celan (que cito no meu post anterior) e sobre cada amigo que parte (a minha morte, diz ele, tem de consolador o nunca mais ver partir alguém). Como são pobres as traduções de die Welt ist fort por "o mundo acabou". Porventura fort significa zu Ende? O dicionário (tanto o Duden como o Wahrig) apresenta como significados "não ficar mais tempo num lugar", "(ir) para diante", "estender-se sem interrupção no tempo por vir". Não é o perfeito domínio do alemão quotidiano actual que assegura uma boa tradução quando se trata de poesia. Pode até constituir um entrave. As raízes das palavras - «que vão directas ao coração das coisas» (Steiner) - não as vê o falante comum da língua (por "coisas" não se deve entender os referentes das palavras nessa abstracção que é o "mundo real" comum a toda a humanidade - mas isto é ainda outra questão, embora inerente à que estou a tratar).
É altura de passar a outro post, que este já se alonga.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Die Welt ist hier

Iniciei já vários posts sem conseguir desenvolver o tema de reflexão que me propunha, como se aquela outra mão que com a minha escreve recusasse colaborar num modo de discurso de que, por força de uma disciplina de anos, ainda me não libertei. A minha dificuldade advém, não de assumir plenamente o discurso de primeira pessoa, mas de assumir uma singularidade que não só me faz única, como único faz um mundo que não só é o que conheço, como só de mim é conhecido. 
Do facto de cada um poder dizer exactamente isto  não posso tirar a ilação nem de que há vários mundos, nem de que há um só. A linguagem, melhor será dizer a "gramática" (ou, mais rigorosamente a léxico-gramática) está, naturalmente, envolvida na criação de uma base comum de um mundo partilhável. Este parece, porém, e cada vez mais,  reduzir-se ao estritamente funcional em que tant bien que mal assenta a vida quotidiana. Isto manifestamente não basta para sustentar a ilusão de um mesmo mundo comum a todos. Apenas sustenta um "suporte" comum, para o qual cada um contribui com a sua quota parte de actos, palavras, pensamentos (e desejos) e omissões (não fazer nada é sempre fazer alguma coisa).
 O mundo que me rodeia configuram-mo os sentidos, a mente, o coração, e todo o meu ser. Um mundo em que o "Tu" pre-existe ao "eu", e persiste para além dele, sendo o que nunca posso perder. Desta tomada de consciência (que, apesar de tão linear, foi para mim uma fulguração, que «lançou fora todo o temor) decorre a de que quanto mais vazio fizer em mim, quanto mais me esvaziar do mundo e de mim mesma, mais intensamente Ele brilha na escuridão desse vazio. 
Assoma-me à mente o verso de Eliot «And the darkness shall be the light». Trata-se, para mais, de um daqueles "ecos" que se cruzam, misturam, reverberam em Quatro Quartetos. Na palavra e por via dela, há um tocarem-se, porventura interseccionarem-se o meu mundo e o do outro . «Die Welt ist fort. Ich muss dich tragen», um verso de Celan que Derrida glosa em Béliers. Não será qualquer outro, este "tu" de «dich tragen». Que alegria poder dizer «Die Welt ist da / hier», e mais do que «ich muss»,  «ich möchte», «ich will».
Mas esta é a segunda questão e é ainda à primeira que queria atender. Continuarei num próximo post.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

«blosse Liebe»

Angelus Silesius, C.W. 1:

7.
Wo ist mein Auffenthalt? Wo ich und du nicht stehen:
Wo ist mein letztes End in welches ich sol gehen?
Da wo man keines findt. Wo sol ich dann nun hin?
Jch muß nochüber GOtt in eine wüste ziehn.

15.
Was man von GOtt gesagt / das gnüget mir noch nicht:
Die über-GOttheit ist mein Leben und mein Liecht.

16.
Wo GOtt mich über GOtt nicht solte wollen bringen /
So will ich Jhn dazu mit blosser Liebe zwingen.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

a poeticidade (3)

Quando, na divulgação científica, se fala do que é o tempo, Santo Agostinho é quase sempre citado a ilustrar a reiteração de que «a ciência não nos pode dar respostas definitivas» a esse respeito. Esta asserção surge normalmente precedida pelo que a gramática chama um "adjunto de comentário" - «infelizmente» - que para mim muda imediatamente de sinal: «felizmente».
Tão essencial quanto para a Física a noção de tempo, será a de poeticidade para a teoria da literatura, que felizmente não nos pode dar resposta definitivas a seu respeito. Um mistério, diz Rilke, é por natureza misterioso, não porque esteja oculto: «das Geheimnis ist geheim, seinem Wesen nach, nicht aber weil es versteckt wäre». Por este mistério, enunciável na pergunta "o que é a poeticidade?", me deixo seduzir na «luta desigual» em que o penso, fascinada pela sua eterna vitória.

Se só me posso pronunciar sobre o poético do ponto de vista da recepção do poema em que sensivelmente se me manifesta (ou seja, na medida em que me toca, move, seduz, fascina), é difícil não ceder à tentação de me interrogar sobre o seu criador, indissociável da sua criação (processo e produto), um mistério que transcende a dinâmica de implicação mútua dos três "tempos" (meaning - wording - expressing)que M.A.K. Halliday distingue no processo da enunciação. Tanto o inglês "mean", como a sua tradução por "querer dizer" ou "significar" é manifestamente insuficiente para o «prévio do discurso", muito especialmente do discurso poético.O que há de misterioso neste primeiro "tempo" é claramente reconhecível no testemunho de Rilke relativamente à escrita de «A Primeira Elegia» a partir do primeiro verso escutado no vento: «Wer wenn ich schrie...». O mistério da criação poética não se circunscreve a este primeiro tempo, antes se alarga e envolve - se não a dirige e governa - toda a dinâmica da enunciação, inclusivamente no que diz respeito à expressão linguística, indissociável da verbalização no momento em que é crucial o som da palavra.

sábado, 8 de outubro de 2011

poeticidade (2)

Quando se diz que o poético é em si mesmo uma realidade misteriosa e, como tal, inefável, há que ter em conta que, como o adverte Eduardo Lourenço «"o inefável" não se reporta aqui ao de facto "indizível", pois nós o dizemos, mas ao "quê", que através do dito poético se manifesta». E este "quê", insondável e em si mesmo misterioso, que a obra contém, para além da informação que transmite, será aquilo mesmo que, na verbalização de Walter Benjamin, um tradutor só pode reproduzir se ele próprio for poeta. Tal é a percepção de que parte, considerando desde logo pobre a tradução que, pretendendo servir o leitor, se limita a reproduzir o conteúdo informativo do texto original, descurando a essência da sua «comunicatividade» (nome que dá ao que prefiro chamar "poeticidade").

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

«Die Rose / welche hier dein äußres Auge siht »

Estas reflexões têm em mim um efeito inibitório no momento em que me disponho a "glosar" um poema, uma transgressão a fruí-lo no silêncio de mim mesma e diante de quem  (mais do que eu mesma) tudo conhece de mim. Dizê-lo, ainda que seja apenas dar-lhe voz na enunciação oral, é abrir ao outro aquela dinâmica em que a suplementaridade se suspende na contemplação da rosa que «os olhos exteriores vêem aqui».

a poeticidade (1)

É na noção de «suplemento» desenvolvida por Derrida, decorrente daquilo que faz com que a identidade de um texto (em que se combinam a repetibilidade e a diferencialidade), seja a mesma, mas não idêntica (e falo do que Derrida chama a différance), que vejo acrescida e consolidada a percepção benjaminiana da “sobrevida” do poema. 
A quadra em que Thomas Traherne confia à sua destinatária o livro para ela escrito tem, naturalmente, um primeiro nível congruente de leitura: não tendo o autor enchido todas as páginas do livro em branco que aquela lhe oferecera, convida-a a encher com a sua própria escrita o espaço que ficou vazio. No entanto, mesmo às páginas plenas, no acto de as ler, ela acrescentaria sempre um «suplemento», simultaneamente necessário e supérfluo, em que sempre algo de si estaria envolvido. O acto de escrita que lhe é pedido é comparável à glosa ou à tradução no papel que estas têm não apenas na sobrevivência (Fortleben), mas e especialmente na "sobrevida" (Überleben) do texto original.

Não se pode esquecer, porém, o facto óbvio de que a sobrevida de um texto envolve a preservação da vida que já lá está e lhe advém da poeticidade que lhe é inerente, porventura comparável ao "sopro" - insuflado no acto da sua criação - o "sopro", o "espírito" que anima de vida/Vida a criatura. D. H. Lawrence tem a percepção do perigo que ameaça de extinção esse sopro, ao mesmo tempo que sobreleva o entendimento do que o sustenta:

«Once a book is fathomed, once it is known, and its meaning is fixed or established, it is dead. A book lives while it has the power to move us, and move us differently; so long as we find it different every time we read it.[...] The real joy of a book lies in reading it over and over again, and always finding it different, coming upon another meaning, another level of meaning.»

O que o autor diz do livro "vivo" autoriza a que reconheça na poeticidade o que lhe assegura essa mesma vida, que a dinâmica da suplementaridade sustenta e intensifica. Se tudo está sujeito a esta "lei", um poema está-o, porém, de um modo muito especial, tanto mais especial quanto à sua inerente poeticidade é intrínseca a componente que partilha com a música e que verdadeiramente o faz poema.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dia de S.Francisco e dos animais

Foi o dia de S. Francisco. Escrevo já passa da meia -noite, mas não queria deixar de assinalar aqui o dia que é também o dos animais. Escolhi este vídeo:

All things bright and beautiful, All creatures great and small




Refrain:
All things bright and beautiful,
all creatures great and small,
all things wise and wonderful,
the Lord God made them all.


Each little flower that opens,
each little bird that sings,
he made their glowing colors,
he made their tiny wings. Refrain


The purple-headed mountain,
the river running by,
the sunset, and the morning
that brightens up the sky. Refrain


The cold wind in the winter,
the pleasant summer sun,
the ripe fruits in the garden,
he made them every one. Refrain


He gave us eyes to see them,
and lips that we might tell
how great is God Almighty,
who has made all things well. Refrain

domingo, 2 de outubro de 2011

Herbst






"Herbst" (Rainer Maria Rilke)

Die Blätter fallen, fallen wie von weit,
als welkten in den Himmeln ferne Gärten;
sie fallen mit verneinender Gebärde.
Und in den Nächten fällt die schwere Erde
aus allen Sternen in die Einsamkeit.
Wir alle fallen. Diese Hand da fällt.
Und sieh dir andre an: es ist in allen.
Und doch ist Einer, welcher dieses Fallen
unendlich sanft in seinen Händen hält.



"Autumn"
The leaves fall, fall as from afar,
as if distant gardens in the heavens were wilting:
They fall with a negating gesture.
And in the nights the heavy earth
falls from the myriad of stars into emptiness.
We are all falling. This hand is falling.
And look at others: it is the same with us all.
And yet there is One who holds this falling with infinite gentleness in his hands.
(translation J. Mueter)